história da raça


Segundo os registros históricos, o Bulldog nos remete ao mastin asiático, variedade canina de tamanho gigante detentor de uma potente cabeça e um focinho mais curto com relação a cabeça que nos cães mais antigos de lobo, os spitz.

Os primeiros exemplares de molossos eram cães de tamanho gigantesco, ossos grandes, dotados de uma força incomparável.

Em meados do Século VI a.C. os mastins asiáticos foram introduzidos no continente Europeu, inclusive as Ilhas Britânicas pelos hábeis e instruídos navegantes mercadores que haviam estabelecido uma diversificada rede de rotas comerciais com o continente Asiático. Muito procurados por sua guerreira ferocidade e por seu insuperável valor, os britânicos cruzaram estes cães com outras espécies da ilha chegando-se ao "PUGNACES BRITANNI", espécie de molossóide de extrema ferocidade que foram utilizados pelos habitantes para lutar contra os invasores romanos.

Apesar de estarmos muito longe do atual Bulldog Inglês, os extraordinários feitos alcançados pelos britânicos com a ajuda desses molossos lutadores nos faz compreender o motivo pelo qual a raça acabou se tornando símbolo e orgulho de uma nação.

Bondogge ou Bolddogge, mais tarde Banddogge, várias palavras foram usadas para nomear esta raça antes de chegar ao nome Bulldog, que chegou a ser citado por obra de William Shakespeare (1564-1616) no ato 1, cena VI da peça teatral Henrique VI: "The time when screech owls cry and banddogges howl and spírits walk and ghosts break up their graves."

Mas muito antes de Shakespeare, no reinado de Henrique II, meados do ano 1133, as lutas de cães contra touros era costume local, e na época de João Sem Terra a primeira notícia certa é registrada no Survey of Stamford que narra como sob o reinado de João Sem Terra, no ano de 1209, o Senhor da cidade, Lord Stamford passeando pelas muralhas de seu castelo avistou cães de um açougueiro lutando e abatendo um touro enfurecido.

Lord Stamford gostou tanto do espetáculo que fez a doação do campo aonde havia se iniciado a luta para o Grêmio (Sindicato) dos Açougueiros, na condição de anualmente, no dia antes das seis semanas que precedem o Natal, o Sindicato realizasse no local um combate similar ao que observara. Denominado por BULL-BAITING, esses combates entre os cães dos açougueiros e os touros furiosos se tornaram populares na Inglaterra.

No auge da popularidade deste espetáculo, apostavam-se vultosas somas de dinheiro com a participação tanto da nobreza como dos deserdados. Espalharam-se arenas, cujos vestígios existem até hoje na Inglaterra.

Anos de seleção para ferocidade e coragem tornaram o bulldog um animal obsessivo por luta e sangue. O touro era amarrado pelos chifres por uma corda de 23 metros a uma estaca no centro de uma arena em forma de círculo que se defendia com os chifres. Os cães desenvolveram a tática de rastejar para proteger-se dessas investidas. Muitos eram atingidos e lançados para o alto e, os Bullots (os donos dos cães) amorteciam a queda com seus aventais de couros (típicos dos açougueiros) ou utilizavam estacas de bambu para fazer o cão rolar em segurança até o chão, pois mesmo feridos e em alguns casos com as vísceras expostas, estes cães retornavam para a luta. Os Bulldogs foram os cães mais adequados para a luta, pois além de tenacidade e uma extrema ferocidade, eram possuidores de uma incrível resistência à dor. Além disso, o ataque era dirigido para o focinho do touro, ao qual mantinha preso até que o animal, ensangüentado e exaurido pelas vãs tentativas de livrar-se do cão, caía finalmente subjugado.

Observa-se em gravuras antigas que algumas outras variedades de cães como os Spitz foram testados nestes eventos, mas eram inferiores ao Bulldog quanto ao desempenho, porque enquanto o Bulldog era pesado e atacava o focinho, aqueles atacavam os touros pelas orelhas e por serem leves eram facilmente lançados para o alto, caiando sobre os chifres, causando danos irreversíveis.

Naquela época os Bulldogs apresentavam um focinho mediano e cabeça globulosa em virtude da descendência dos Mastins Asiáticos. Comparado com outras raças, os Bulldogs apresentavam tipicidade distinta e especial, possuindo algumas características muito particulares. Sua técnica de ataque e destemor nas lutas, fizeram com que ele ganhasse domínio e fama neste cenário, tornou-se a raça absoluta e exclusiva para a prática desses eventos, que conquistou ilustres personagens da Nobreza Inglesa, destacando-se Jaime I, Ricardo III e Carlos I e a Rainha Isabel I, que patrocinavam o popular Bull Baiting.

Com o passar dos séculos, buscou-se potencializar cada vez mais o físico e o temperamento destes cães, de formas a melhorar o desempenho nas lutas, isto acarretou uma progressiva mutação física, que resultou por fixar geneticamente anomalias que tornaram o cão mais adequado para o Bull Baiting. Patas tornaram-se curtas para rastejar melhor e assim poder esquivar-se com mais eficiência dos chifres, um recuo acentuado do focinho proporcionou um aumento do prognatismo, que resultou numa mandíbula poderosa.

As dobras das rugas ao redor das narinas facilitavam o escorrimento do sangue do touro, de modo a não impedir a respiração por obstrução. O cão podia manter-se preso ao touro por muito tempo e permanecer respirando sem dificuldades. Gerações e gerações foram acentuando o perfil de um cão que ganhou a fama de ferocidade inigualável. Esta seleção permitiu obter através dos séculos. Com a evolução do pensamento e refinamento da civilização, tornaram-se os Ingleses conscientes da carnificina injustificável que esta prática representava.

Depois de muita polêmica e debates, a oposição se fez tão forte que, em 1835 se chegou a promulgação de uma lei na qual todos os combates entre animais foram proibidos. A raça ficou por algum tempo na marginalidade entre aqueles que promoviam e mantinham as rinhas na clandestinidade. Paralelamente os autênticos amantes e entusiastas começaram a selecionar a raça para resgatá-la deste triste quadro que chegara.

As décadas que se seguiram foram utilizadas, agora para promover o caminho inverso na seleção do temperamento. Os verdadeiros amantes da raça iniciaram um paciente trabalho de triagem para a seleção dos cães, que apresentassem um temperamento equilibrado, dócil e seguro. E através de uma seleção criteriosa, foi possível transmitir e fixar aos descendentes o bom temperamento. A raça então se tornou segura e adequada ao convívio social.

Os Ingleses foram os pioneiros na cinofilia mundial e o Bulldog o centro de estudos e atenções. Em 1864, para narrar como seria o tipo de excelência no Bulldog, SAMUEL WICKENS redigiu o primeiro "Standard" de uma raça canina no mundo.

Usou um Pseudônimo: PHILO-KUON, pois naquela época era considerado vergonha escrever algo sobre cães.

Em 1865, um ano após a redação do PHILO-KUON, um grupo de criadores da raça Bulldog Inglês fundou o THE BULLDOG CLUB (a primeira organização em prol da raça).



O THE BULLDOG CLUB encerrou as atividades e, em 1875 foi fundado o THE BULLDOG CLUB INCORPORATED, que está em atividade até a presente data e coordena as atividades sobre a raça na Inglaterra, inclusive gerencia os três importantes campeonatos da raça: CRUFTS, BULLDOG OF THE YEAR e THE BULLDOG INCORPORATED, Shows aonde só adentram a pista Bulldogs que tenham títulos de Campeão.

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